4 Coisas Que Melhoraram Na Minha Vida Depois Que Abri Mão do Glúten

freeimages.com/johnboyerComo uma boa italiana amante de massas, eliminar o glúten da minha dieta por recomendação médica me fez pensar que teria opções alimentícias extremamente limitadas. No entanto, motivada pelo meu cansaço constante e dores de estômago, levantei a bandeira branca (e vermelha e verde) e embarquei na minha aventura sem glúten, ansiosa por ter mais energia e menos dor.

O que eu não imaginava era que os benefícios de uma dieta sem glúten causariam uma melhora em outras áreas da minha vida também.

1) Uma das melhoras mais perceptíveis que tive ao eliminar o glúten da minha dieta foi parar de sentir cansaço crônico. Antes de mudar a minha dieta, eu chegava a dormir até 15 horas por noite e ainda me sentia muito cansada no dia seguinte, provavelmente devido à má absorção de nutrientes causado por danos ao intestino.

Alguns meses após adotar uma alimentação sem glúten, percebi que já não precisava de tantas horas de sono para poder dar conta de todas as atividades do meu dia e conseguia raciocinar de maneira mais clara também.

2) Ao mesmo tempo em que eu dormia 15 horas por noite e me arrastava durante o dia, eu me sentia deprimida. Me faltava motivação para realizar até as menores tarefas.

O que eu não sabia era que 90 por cento da serotonina, que é responsável por melhorar o nosso humor, e 50 por cento da dopamina, que é importante para a motivação e atenção, ficam justamente no nosso intestino. Então, se o meu sistema digestivo está danificado e desequilibrado, os meus níveis de serotonina e dopamina estão desequilibrados também, o que afetaria diretamente o meu humor.

Depois que eu excluí o glúten da minha alimentação, eu lentamente recuperei a minha habilidade e desejo de viver normalmente.

3) Muitos anos antes de parar de comer alimentos que contém glúten, eu parei de comer praticamente tudo. Eu me lembro de um certo dia quando cursava a faculdade em que pedi o meu sanduíche predileto de tomate e mussarela fresca no pão ciabatta. Eu estava com fome após uma manhã cansativa de aulas. Apesar de estar animada para almoçar com um grupo de amigos, é possível que a minha empolgação maior fosse por causa do sanduíche que estava para saborear. Mas depois de uma mordida, não conseguia mais comer aquele sanduíche.

Tinha alguma coisa errada com ele. Eu tive o mesmo sentimento que tinha quando era criança e comia quantidades exageradas de bolinho de chuva – e não conseguia nem pensar em comer outro durante meses sem sentir náusea.

Naquela época, eu havia acabado de perceber que independente da minha fome, eu simplesmente não conseguia comer certos alimentos. Nunca imaginei que o meu querido sanduíche de tomate e mussarela na ciabatta seria um deles. Joguei o sanduíche no lixo, a minha fome foi substituída por náusea e fui assistir a próxima aula.

Aquela noite, já morrendo de fome, comi duas fatias de pizza. Muito tempo depois descobri que a náusea é um sintoma gastrointestinal da doença Celíaca.

4) Juntando a minha energia renovada com a minha habilidade de poder digerir os alimentos que eu queria comer, a minha interação social tornou-se bem mais tranquila e frequente. Eu já não estava cansada demais para sair com os amigos quando eles me ligavam e eu não precisava voltar para casa mais cedo por causa de dores abdominais fortíssimas.

Eu sempre me perguntei como as pessoas saíam para jantar e depois iam para uma boate dançar, sem ficar com aquela sensação de ter comido demais, aquela sensação de inchaço. Quando eu parei de comer alimentos com glúten no jantar, eu entendi como elas conseguiam. Se você sente a mesma coisa que eu sentia antes de eliminar o glúten da minha dieta, talvez seja bom consultar um médico – mesmo que você esteja com vontade de fazê-lo – e perguntar se é possível que você tenha a doença celíaca ou intolerância ao glúten.

Originally published on Brasil Post.